Frangos de criação e a indústria do frango - Veganuary

Frangos de criação e a indústria do frango

Existem dois tipos de galinha de criação: as criadas para sua carne e as criadas para seus ovos. Ambas enfrentam algumas das piores condições nas granjas e são mortas em número muito maior do que qualquer outra espécie, o que as torna os animais mais abusados no mundo agrícola.


a chicken called gloria

FRANGO CRIADO PARA CARNE

Em torno de 6 bilhões de frangos são abatidos para produzir carne no Brasil* a cada ano e a grande maioria é criada em granjas industriais. Não há nada natural em suas vidas. Eles não ciscam a terra, não recebem a luz do sol e nem mesmo respiram ar puro. Eles são criados para crescer o máximo e mais rápido possível. Por isso, seus corpos superam sua força óssea e suas pernas não aguentam o peso e podem quebrar. Aqueles que não conseguem ficar de pé sofrem queimaduras na pele por causa da amônia no solo. Seus corações também não conseguem suportar o peso crescente, e a insuficiência cardíaca é muito comum.

Esta é a aparência de uma unidade de frango típica…

Acompanhe suas vidas, de filhotes felizes a pássaros letárgicos, doentes e moribundos, tudo em apenas seis semanas.

GALINHAS USADAS PARA OVOS

Existem alguns sistemas de criação para a produção de ovos, os mais comuns são: gaiolas, celeiros (galpões cage free) e galinhas livres.

Gaiolas

Em toda a União Europeia, o sistema de gaiolas está proibido desde 2012. Com isso, milhões de galinhas foram simplesmente transferidas para “gaiolas de colônia”. Estas são maiores, têm um poleiro pequeno, uma almofada de arranhadura e muito mais aves dentro. Pode haver até 80 galinhas em uma gaiola. Elas nunca serão capazes de expressar seus comportamentos naturais, como aninhar, cacarejar e ciscar. Luzes artificiais são acesas por períodos prolongados, encorajando-as a colocar ainda mais ovos. No Brasil, o método é permitido.

Muitas galinhas sofrem deformidades nos pés por ficarem de pé no chão da gaiola de arame, enquanto outras não têm penas. As condições de superlotação permitem que as doenças se espalhem rapidamente.

Mais da metade de todos os ovos produzidos no Brasil vêm de galinhas mantidas em gaiolas.

É assim que são as “gaiolas de colônias”…

Celeiros (galpões)

A palavra ‘celeiro’ pode sugerir um galinheiro à moda antiga em um curral, mas na verdade, esses enormes galpões podem conter até 16.000 aves. Elas têm mais espaço para se movimentar, mas ainda não têm acesso ao ar livre e a superlotação cria os mesmos problemas de bem-estar das galinhas mantidas em gaiolas.

Galinhas soltas

O termo “livre” não é o que parece ser. Esqueça algumas galinhas felizes correndo em um quintal, este é um negócio industrial em grande escala, com dezenas de milhares de pássaros mantidos dentro de um galinheiro. Como as galinhas são territorialistas, as aves mais fracas não podem cruzar o espaço de uma mais forte e nunca sairão. Aquelas que se aventuram podem ser mais suscetíveis a doenças, porque são das mesmas linhagens que aquelas em sistemas fechados e não são resistentes o suficiente para lidar com os insetos do mundo exterior.

É assim que se parece o “livre” de uma galinha feliz…

Sofrimento em todos os métodos

Não importa o sistema, o sofrimento é inerente à produção de ovos. A criação e o ambiente das aves são manipulados para garantir que ponham o máximo de ovos possível – cerca de 300 por ave por ano. Todos esses ovos precisam de cascas, e as cascas são feitas de cálcio. Este mineral vem dos ossos dos pássaros, o que os deixa suscetíveis a pernas e asas quebradas. É um preço que a indústria está disposta a pagar por ovos abundantes.

chicken with bad leg
foto: Animal Equality

O estresse de viver nessas condições pode fazer com que os pássaros machuquem uns aos outros. A resposta da indústria não é dar a eles uma vida melhor, mas remover a ponta do bico quando eles são pintinhos com um dia de vida. É um processo doloroso e as complicações podem causar sofrimento para toda a vida.

Suas vidas são curtas e para pintos machos nascidos em incubadoras, muito curtas. Eles têm o sexo errado para botar ovos e a raça errada para comer carne, então suas vidas são consideradas inúteis. Milhões deles morrem com gás no primeiro dia de vida.

Suas irmãs são úteis apenas quando a produção de ovos está no auge. Quando começa a diminuir, elas também são descartadas. Elas são enviados para o abate e seus corpos esqueléticos se transformam em produtos de frango de baixa qualidade quando têm, geralmente, apenas 18 meses de idade.

Todas as galinhas vão para o abate

As galinhas criadas para carne e aquelas usadas para ovos são todas enviadas para o abate. Este é um processo doloroso e assustador para as aves. Elas são capturadas em bando, quando se agarra várias aves de uma vez, segurando-as pelas pernas, asas e às vezes pelo pescoço, e as enfiam em caixotes. Este tratamento áspero geralmente resulta em luxação do quadril e ossos quebrados.

factory farmed chicken being carried
Foto: cortesia de Jo-Anne McArthur / We Animals

Algumas granjas industriais têm ‘colheita’ mecanizada, onde uma máquina empurra as aves para uma esteira de transporte e as joga em uma espécie de gaveta.

Transporte

Não há um tempo de viagem máximo específico para o transporte de frangos. Algumas aves terão que enfrentar viagens de longa distância em caminhões de transporte, que podem durar 24 horas para aves recém-nascidas e 12 horas para aves adultas, antes de receberem comida e água.

No matadouro, as aves são algemadas de cabeça para baixo pelas pernas enquanto estão totalmente conscientes em esteiras. Imagine a dor de ser suspenso assim com as pernas quebradas. A esteira se move, arrastando as cabeças dos pássaros pela água eletrificada, o que deve deixá-los inconscientes. Mas, se as aves forem pequenas ou o nível da água for muito baixo ou se for usada voltagem insuficiente, as galinhas irão para a faca totalmente conscientes. Atordoada ou não, a esteira continua se movendo e os pescoços dos pássaros são cortados mecanicamente.

Cada vez mais, as galinhas são atordoadas e mortas pela exposição ao gás dióxido de carbono, um processo que, de acordo com a organização inglesa de bem-estar animal “Compassion in World Farming”, causa dificuldade respiratória nas aves – hiperventilação e respiração ofegante.

Não existe uma maneira gentil de criar galinhas comercialmente, assim como não existe uma maneira gentil de matá-las.

Inteligente, doce e sociável

Qualquer pessoa que já conheceu uma galinha sabe que figuras fantásticas elas podem ser. Elas são ativas, curiosas e gostam de fuçar e explorar. Elas se banham na poeira e se alisam para manter a pele e as penas em ótima forma e adoram tomar sol, deitadas de lado, com as asas abertas e os olhos fechados.

Assim que saem do ovo, elas são capazes de reconhecer seus irmãos e, se tiverem a chance, escolherão ficar um com o outro. Elas são animais sociáveis e fazem amizades fortes, mas os enormes bandos nas granjas industriais não são naturais e são estressantes.

Usamos a expressão “manter debaixo da asa” para descrever o cuidado de uma pessoa muito protetora. E isso porque as galinhas são mães fantásticas. Mesmo ainda no ovo, elas se comunicarão com o embrião e ele responderá. O vínculo é poderoso e começa antes mesmo de o pintinho nascer.

Olha só como uma galinha cuida de seu pintinho.

PÁGINA ORIGINAL EM INGLÊS ATUALIZADA EM DEZEMBRO/2020

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