Porque comer peixe está acabando com nossos oceanos

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Nossos oceanos – e sua vida selvagem – estão sob ameaça

Trezentas tartarugas ameaçadas de extinção foram encontradas mortas na costa de Oaxaca, no México, em 2018: vítimas de uma rede de pesca industrial descartada. Essa tragédia aconteceu poucas semanas depois que altas concentrações de algas tóxicas mataram centenas de tartarugas, peixes, caranguejos, peixes-boi e até mesmo um tubarão-baleia ao longo da costa do Golfo da Flórida. O estrago foi resultado de vazamentos tóxicos de fazendas industriais, despejados no oceano a partir de o rio Mississippi.

Como a atividade humana está impactando nossos oceanos?

Ainda em 2018, os cientistas mapearam áreas marinhas “selvagens” em todo o mundo pela primeira vez. Eles descobriram que apenas 13% dos oceanos do mundo podem ser classificados como “regiões selvagens” ou como áreas que não foram afetadas negativamente por atividades como pesca, poluição e transporte marítimo.

Somente poucas áreas costeiras ainda atendem aos critérios de vida selvagem e isso inclui os recifes de coral, que são normalmente alguns dos habitats de maior biodiversidade para a vida marinha no oceano. Os cientistas descobriram que a maioria das áreas definidas como “áreas selvagens” situam-se nas nações árticas, antárticas e em torno das ilhas do Pacífico, onde a atividade humana é mais limitada. Porém, essas áreas estão desaparecendo rapidamente em todo o mundo.

Cientistas da organização Wildlife Conservation Society declararam que a pesca, bem como o escoamento de resíduos e produtos químicos de fazendas industriais, são as duas formas mais significativas pelas quais os humanos estão impactando negativamente os ecossistemas oceânicos. Essas atividades prejudiciais, juntamente com a poluição por plástico (46% vindos de redes de pesca), estão perturbando a vida nos oceanos e, por sua vez, esgotando os recursos oceânicos.

A menos que a humanidade pare de contribuir com as principais causas da poluição, com a formação de ecossistemas desorganizados e com o declínio das populações marinhas, simplesmente não seremos capazes de salvar nossos oceanos.

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Foto: Blue Ocean Network

Métodos modernos de pesca

Estima-se que 2,7 trilhões de peixes são arrastados do oceano a cada ano. Para cada 10 atuns, tubarões e outros grandes peixes predadores que existiam em nossos oceanos há 50 a 100 anos, resta apenas um devido aos métodos intensos de agricultura e pesca. Se continuarmos usando esses métodos, os cientistas preveem o colapso total de todas as espécies de peixes em menos de 50 anos.

Quase todos os peixes e frutos do mar que comemos chegam até nós por meio de pesca de palangre, vara ou arrasto de fundo, as enormes redes arrastadas ao longo do fundo do mar pegando tudo e qualquer coisa em seu caminho. O espinhel – uma técnica que consiste em pendurar milhares de anzóis ao longo de linhas de pesca de até 160 quilômetros de comprimento – fisga milhares de criaturas de maneira igualmente indiscriminada. Além de sujeitar os peixes a uma morte lenta e angustiante, geralmente por asfixia, essas técnicas de pesca modernas significam que centenas de outras espécies também são mortas no processo.

Essas espécies indesejadas, chamadas na indústria de “capturas acessórias”, geralmente incluem tartarugas, tubarões e golfinhos, muitos dos quais ameaçados de extinção. Todos os anos, a pesca comercial mata cerca de 100 milhões de tubarões e até 300.000 baleias, golfinhos e botos como captura acidental.

E a verdade é que os humanos não precisam comer peixes. Podemos obter todos os nutrientes de que precisamos, incluindo ômega-3, de fontes vegetais.

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Foto: Jordi Chias

Comportamentos podem mudar

O consumo de carne também tem um grande impacto em nossos oceanos, porque o escoamento de resíduos animais e fertilizantes de criações industriais poluem nossos rios e, consequentemente, as águas costeiras. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) relata que mais da metade de todos os rios dos EUA são inadequados para a vida aquática, em grande parte devido à poluição de nutrientes das práticas agrícolas industriais.

O rio Mississippi, com seus 3.730 quilômetros de comprimento, é o principal sistema de drenagem do continente norte-americano. O rio carrega quantidades significativas de fertilizantes, nitrogênio orgânico e vazamentos de fósforo pelo estrume de fazendas industriais para o Golfo do México, criando a maior zona de hipóxia (zona morta do oceano) no mundo. Como resultado, uma proliferação de algas verdes fluorescentes apareceu na água da costa sul da América.

Zonas mortas são áreas do oceano que normalmente estariam repletas de vida, mas, devido à poluição, a maior parte da vida marinha morreu ou deixou a área. A Zona Morta no Golfo do México atualmente se estende por mais de 22.000 km quadrados, uma área de água maior do que a afetada pelo derramamento de óleo da petrolífera BP em 2010, considerado o pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

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Imagem: National Ocean Service (NOAA)


Houve um tempo em que não pensávamos sobre o uso excessivo de sacolas plásticas, canudos e garrafas, mas aos poucos começamos a ver esses produtos como prejudiciais e desnecessários. Como sociedade, estamos tornando o mundo mais consciente, com esforços para reciclar e afastar-se dos plásticos descartáveis. Agora, precisamos começar a pensar sobre peixe e carne da mesma maneira.

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