Ler rótulos, um hábito saudável | Veganuary Brasil

Ler rótulos, um hábito saudável

Alimentos podem se tornar tão desconhecidos quanto alienígenas quando você decide seguir o veganismo. Dá uma sensação estranha descobrir que você não conhece quase nada do que está na lista de ingredientes da maioria das coisas que você come, não é mesmo? 

Imagem: AdobeStock

Mas não entre em pânico, não estamos falando aqui sobre aprender um novo idioma. Em uma semana você terá alcançado a graduação de bacharel em Leitura de Rótulos. E ao final do mês já poderá adicionar outro título à sua certificação: mestre em Leitura Dinâmica de Rótulos! Quem segue o veganismo consegue ler rótulos a uma velocidade impressionante, é quase um superpoder. Mas vamos te revelar um pequeno segredo: isso acontece porque nós sabemos exatamente o que estamos procurando… 

Abaixo damos algumas dicas que vão fazer você jogar itens dentro do seu carrinho de compras com segurança. Mas antes, um mantra para decorar: “sempre que a dúvida pintar, o melhor a fazer é evitar”. 

SEIS DICAS PARA LER RÓTULOS E DECIFERAR INGREDIENTES NÃO VEGANOS 

1. Está escrito vegano na embalagem? 

Nunca houve um momento melhor para experimentar o veganismo. Existem mais opções veganas do que nunca e muitas empresas tornam sua vida mais fácil investindo “tempo” nas embalagens. Mas nem tudo que é vegano DIZ que é vegano. Portanto, se parece vegano, mas não deixa isso claro, vá para a segunda dica.

2. Está escrito que o produto é vegetariano? 

Muitas embalagens indicam se o produto é vegetariano, então a primeira coisa a fazer é buscar essa informação. Quando diz que é vegetariano, você vai precisar passar a lupa na lista de ingredientes para ter certeza de que é vegano. 

Por lei, as empresas precisam obrigatoriamente especificar no rótulo quais alérgenos estão contidos no produto, escritos em negrito e letras maiúculas, como abaixo:  

ALÉRGICOS: CONTÉM… (lista a presença direta de ingredientes alérgenos e não veganos) 

Se você encontrar um ingrediente não vegano na lista de alérgenos (ovos, leite, soro de leite e caseína são os mais comuns), você pode concluir que esse produto não é vegano. Se nenhum desses itens estiver na lista de alérgenos de um produto que afirma ser vegetariano, é provável que também seja vegano – mas é sempre uma boa ideia verificar primeiro a lista completa de ingredientes!

Imagem: Unsplash

3. Ingredientes “não-veganos” mais comuns 

Além de ovos e leite, existem subprodutos derivados deles e outros ingredientes não veganos pouco conhecidos que você precisa saber a respeito: 

  • Caseína – uma proteína do leite de origem animal 
  • Caseinato de cálcio e sódio – é uma das várias proteínas do leite derivadas da caseína no leite desnatado e a 1%. 
  • Lactose – um açúcar do leite (não confundir com o ácido lático que é quase sempre vegano) 
  • Lactosoro – é um subproduto líquido obtido no processo de fabricação do queijo  
  • Lactitol – trata-se de um álcool de açúcar derivado da lactose, usado como adoçante e com propriedades laxantes 
  • Lactoalbumina – é a albumina contida no leite e obtida do soro de leite 
  • Beta-lactoglobulina – é a proteína presente em maior quantidade no soro de leite bovino 
  • Whey – proteína do soro do leite, está presente em muitos produtos como batatas fritas 
  • Colágeno – retirado da pele, ossos e tecido conjuntivo de animais (vacas, galinhas, porcos, peixes) é usado em cosméticos 
  • Elastina – encontrado nos ligamentos do pescoço e aorta de vacas, similar ao colágeno 
  • Queratina – retirado da pele, ossos e tecido conjuntivo de animais (vacas, galinhas, porcos, peixes) 
  • Gelatina – obtida da fervura da pele, tendões, ligamentos e/ou ossos (porcos e vacas), para ser usado em jelly, doces mastigáveis, bolos e vitaminas (nas cápsulas ou para revestir comprimidos)  
  • Aspic – alternativa industrial à gelatina, feito de carne clarificada, peixe ou caldo de legumes com gelatina 
  • Banha de porco – gordura animal 
  • Sebo bovino – gordura animal 
  • Shellac – goma-laca, resina obtida a partir de corpos de insetos fêmea da espécie Tachardia lacca  
  • Mel – comida feita por abelhas, para abelhas 
  • Própolis – usado pelas abelhas na construção de sua colônia 
  • Geléia real – substância secretada pelas abelhas operárias e que serve de alimento para a abelha rainha 
  • Vitamina D3 – feita a partir de óleo de fígado de bacalhau, utilizado em cremes, loções e outros cosméticos 
  • Albumina/albus – retirada da clara de ovos (geralmente) 
  • Ovoglobumina – retirado da gema de ovos 
  • Lisozima – enzima presente em abundância nas claras de ovos 
  • Isinglass/ictiocola – uma “cola” obtida a partir da bexiga de peixes e usada para clarificar vinhos e cervejas 
  • Óleo de fígado de bacalhau – utilizado em cremes lubrificantes, loções, cosméticos, vitaminas e suplementos 
  • Pepsina – enzima digestiva obtida do estômago de porcos, é um agente de coagulação utilizado em vitaminas 

*Apenas identificamos aqui os ingredientes que podem ser desconhecidos para participantes do Veganuary. 

3. E + números  

Aditivos alimentares têm que ser declarados em listas de ingredientes por meio de códigos internacionais iniciados com a letra E + números. Por exemplo: E120 (que é um colorante comestível feito a partir de insetos esmagados). Hum… deu água na boca, só que não! Para nossa sorte, a lista desses aditivos que não são veganos é bem enxuta. 

 4. “Pode conter…”   

Se o produto que você tem em mãos parece ser vegano, mas no rótulo tem os dizeres “pode conter (leite) ou traços de (leite)”, entre outros, pode ser que você se sinta confuso… afinal é ou não é? 

Esse alerta é obrigatório para todos os produtos feitos em fábricas que trabalham com ingredientes alergênicos no mesmo maquinário. Isso não necessariamente desqualifica o produto de ser vegano – apenas indica que pode haver contaminação cruzada com outros ingredientes (de origem animal ou não). Se você tem alergias a certos ingredientes, cuidado extra! 

Como quase todo alimento alérgeno está presente em produtos de origem animal, você pode encontrar alertas sobre leite, ovos e mesmo frutos do mar em produtos que, de outra forma, você acharia que eram veganos.  

5. Para ficar atento… 

  • Um produto “zero lactose” não significa, necessariamente, que é vegano. Por exemplo, alguns bolos em pó podem conter leite de vaca sem lactose e/ou conter ovos. Sempre verifique os ingredientes! 
  • Glicerina/glicerol, ácido lático, mono e diglicerídeos de ácidos graxos, assim como ácido esteárico, podem ser subprodutos de gorduras vindas de matadouros, mas também pode ser veganos. Se forem derivados de plantas, relaxe, isso estará descrito no rótulo.  
  • Nos EUA, algumas refinarias de açúcar branco utilizam ossos de animais carbonizados no processo, mas as chances de isso acontecer no Brasil são quase inexistentes. Saiba mais. 

6. Fale com o fabricante 

Se você passou por esta lista e continua inseguro para saber se alguma coisa é vegana ou não, contate o fabricante.  

DICA: Seja específico. Se você perguntar apenas “isto é vegano?”, muitas vezes eles vão preferir ficar na zona de conforto e apenas responder que não. Uma boa pergunta é “eu notei que este item não está listado como vegano, mas não existe nada muito óbvio que não seja vegano entre seus ingredientes… você poderia me confirmar o que não o qualifica? Por exemplo, contaminação cruzada durante a produção ou ingredientes de origem animal? Você terá mais chances de obter respostas detalhadas.  

E, por último, que tal usar tecnologia? Aplicativos leem rótulos e decifram ingredientes

Encontre instantaneamente informações sobre produtos e ingredientes de origem animal usados pela indústria de alimentos com esses aplicativos.  

Escaneie o leitor de códigos, biblioteca de receitas e mecanismos de busca pra você identificar rapidamente produtos que estão na vibe da sua dieta vegana. 

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